Na dermatologia cosmética, o termo “microagulhas” costuma se referir a microestruturas biológicas extremamente finas, muitas vezes invisíveis a olho nu, como as espículas de sílica derivadas de esponjas marinhas.
Entrevista
- Quando falamos em “microagulhas” em cosméticos de uso diário, do que exatamente estamos falando? São agulhas de fato ou estruturas com outro nome técnico?
Hoje falamos menos em perfurar a pele e mais em modular a barreira cutânea de forma inteligente e controlada. Na dermatologia cosmética, o termo “microagulhas” costuma se referir a microestruturas biológicas extremamente finas, muitas vezes invisíveis a olho nu, como as espículas de sílica derivadas de esponjas marinhas. Essas estruturas funcionam como um microagulhamento superficial incorporado ao creme, criando microcanais muito delicados apenas na epiderme, parte mais superficial da pele, sem a profundidade dos procedimentos médicos realizados em consultório, mas que auxilia na entrega cutânea de ativos garantindo uma maior penetração e ação na pele. .
- Essas microagulhas têm como função perfurar a pele ou liberar ativos de forma gradual? Qual é o principal mecanismo de ação?
O principal mecanismo é a formação transitória de microcanais epidérmicos, que facilita a penetração de ativos tópicos e aumenta sua biodisponibilidade, além de estimular microcirculação, renovação celular e síntese de colágeno. Essa tecnologia faz uma janela ampliada de absorção cutânea, permitindo que os ativos associados permaneçam sendo absorvidos por horas após a aplicação. As microagulhas em creme acabam atuando como uma estratégia de drug delivery cutâneo associada à regeneração superficial da pele.
- A sensação de “picada” que alguns produtos causam é um sinal de que a tecnologia está funcionando?
Essa sensação pode ocorrer devido ao contato das microestruturas com a superfície cutânea, mas não é um marcador confiável de eficácia. A resposta sensorial varia conforme concentração, veículo cosmético, integridade da barreira cutânea e sensibilidade individual.
Ou seja, eficácia clínica não deve ser medida pela intensidade da sensação. Costumo dizer que conforto e resultado precisam caminhar juntos.
- Até que camada da pele essas microestruturas conseguem agir?
Nas formulações cosméticas, a ação permanece restrita à epiderme, sem atingir camadas profundas, o que diferencia claramente essa tecnologia de procedimentos médicos invasivos. A grande inovação é justamente atuar de forma biológica e superficial, respeitando a fisiologia da pele.
- Em termos de segurança, esse tipo de tecnologia é considerado seguro para uso contínuo e domiciliar?
A segurança é tão importante quanto eficácia. Quando utilizado nas concentrações recomendadas e em formulações adequadamente testadas, o uso é considerado seguro, podendo inclusive ser incorporado à rotina domiciliar, com bom perfil de tolerabilidade. Estudos clínicos também demonstram ausência de fototoxicidade e boa segurança cosmética, reforçando sua aplicabilidade no dia a dia.
- Existem contraindicações?
Sim. Deve-se evitar o uso em pele sensibilizada, com inflamações ativas, infecções cutâneas, dermatites em crise ou imediatamente após procedimentos estéticos agressivos.
Pacientes com pele muito reativa exigem avaliação individual, e qualquer irritação persistente indica suspensão do uso. A personalização continua sendo o princípio central da dermatologia.
- Esses produtos podem potencializar outros ativos da rotina?
Sim. Ao modular temporariamente a barreira cutânea e criar microcanais epidérmicos, essas tecnologias aumentam a permeação e a eficácia de ativos associados, favorecendo protocolos regenerativos, clareadores e antienvelhecimento. A eficácia e do skincare não está apenas no ativo isolado, mas na forma como conseguimos entregá-lo com precisão à pele.
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